Saturday, December 01, 2007

>>Ultimo post: 22/10/2007

>>Data de hoje: 01/12/2007

Ano está acabando.. atualizei meu perfil no orkut:


QUEM SOU EU:

Alguém que não sabe brincar...

já entendi tudo.. demorou... eu precisei escutar de muitas pessoas que amo...

Eu não sei brincar.. e isso já me disseram de várias maneiras..

já me disseram carinhosamente estúpidamente compreensivamente, impacientemente..

Mas sei que eles não mentem.. e não fazem pra me magoar..

já me disseram inclusive que eu sou mais bonita quando séria.. e mais atraente..

essa foi a maneira mais interessante de me dizerem q eu sou chata...

mas mesmo após isso eu não consegui mudar...

não importa.. eu sou mesmo assim, em diversos momentos aleatórios, mas nunca com a intenção de me afastar ou fazer com que o "alvo" se afaste de mim..

porque pirraço só quem eu gosto.. porque perturbo só quem eu acho que deveria estar sorrindo enquanto está fechado...

Mas a vida é assim mesmo... quedas, tropeços, mas sei levantar.. e sei voltar a brincar.. xD
mesmo que voltem a me dizer essas verdades.

quem sou eu: chata..
>>>

Monday, October 22, 2007

Desculpa por não saber por que, mas errar

Por ter tido todo tempo do mundo pra te entender

Mas aí nascendo o sol, quando acordo, te amar

Tudo isto acontece simplesmente por que

Eu não sei mais o que fazer da gente

Parar a dinâmica ou cair de vez no abismo

Se errei ou se fiz certo foi só por acreditar

Que pudesse valer a pena caso você se tocasse

Mas nem por isso esperei que me entendesse

Como um amigo carente a quem é dado um abraço

Um faminto sem gula a quem é dado um prato

Apenas te vi a me aceitar com o passar das luas

Não espero mais que isso com o passar dos anos

Nem que a dinâmica se perpetue, pois

Não quero fazer dessa alegria uma rotina

Mais além eu quero que algo diferente aconteça

Nem que por isso o sol surja durante a noite

Que os dias não sejam mais os mesmos

Quero fazer um dia diferente do outro

Não pra mudar essa linearidade do tempo

Mas para tornar esse momento eterno

Completando-nos pelos erros e acertos das indecisões

Aproveitando as nuance que nos são contempladas

Um dia após o outro para que possamos viver

Sunday, October 21, 2007

19/10/07
Se as nuvens do céu fossem de algodão doce
eu subiria lá no céu para pegar todo o doce.
Paçoca
Nunca existe nunca mais;

só que às vezes não é.
FFODNAH
eu ainda vou faze sexo selvagem
na varanda do centro da cidade

Thursday, October 18, 2007

Algo que eu queria ter escrito [15]



Maria Bethânia - Quando O Amor Vacila

Fernando Pessoa
Eu sei que atrás deste universo de aparências,
das diferenças todas,
a esperança é preservada.

Nas xícaras sujas de ontem
o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que não suporto ouvir,
e dela não me conformo.

Eu acredito em tudo,
mas eu quero você agora.

Eu te amo pelas tuas faltas,
pelo teu corpo marcado,
pelas tuas cicatrizes,
pelas tuas loucuras todas, minha vida.

Eu amo as tuas mãos,
mesmo que por causa delas
eu não saiba o que fazer das minhas.

Amo teu jogo triste.

As tuas roupas sujas
é aqui em casa que eu lavo.

Eu amo a tua alegria.

Mesmo fora de si,
eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você poderia ter sido,
se a maré das circunstâncias
não tivesse te banhado
nas águas do equívoco.

Eu te amo nas horas infernais
e na vida sem tempo, quando,
sozinha, bordo mais uma toalha
de fim de semana.

Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.

Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas
e pelos teus sonhos inúteis.

Amo teu sistema de vida e morte.

Eu te amo pelo que se repete
e que nunca é igual.

Eu te amo pelas tuas entradas,
saídas e bandeiras.

Eu te amo desde os teus pés
até o que te escapa.

Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
ainda que seja através delas
que eu me defenda,
quando digo que te amo
mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor


vacila.

Sunday, October 07, 2007

Quero registrar o quão feliz estou depois de um mês do que eu posso chamar de 'o mais próximo da perfeição que pude chegar'.
Eleva ao cubo e acelera...
olho para a placa e me pergunto que caminho seguir porque sei que não basta um fim de semana para se construir uma história e a música embala o meu sorriso junto ao grupo e o grupo me abraça e me acholhe como a noite que abraça o dia com sua ternura original de quem ama

Friday, October 05, 2007

Algo que eu queria ter escrito [13]

Catedral - 15° Andar
Carica-prateado

(...)
Do que era a magia
Toda a culpa descobri
Meus desejos bem guardados
São importantes para mim.

Sei que a chuva, vai lavar
E o meu rosto vai brilhar
Estou no décimo-quinto andar
Não tenho medo de me entregar.

Na rotina, o dia-a-dia
do cotidiano enfim
Ser apenas, ser humano
Pela via expressa, meu calor.

A beleza infinita
Que o coração extraviou
onde os olhos não enxergam
Pois não tem a pressa do amor.
Nossa... senti uma necessidade tremenda de escrever.

Escrever pra desabafra, prame conhecer... parece não ter lógica mas estou mudando tanto [é a idade] que nem eu estou me entendendo mais, não tanto quanto deveria. Mas tudo parecia ser tão simples e passageiro que eu nem estava me preocupando.
Quero só marcar esse espaço pra ter certeza de que eu estou me ouvindo, e de que eu estou pensando, em minha vida, em minhas atitudes, em minhas concessões, entrega... eu tenho me dado, não simplesmente por dar mas pra ser mais minha, mais livre .

Eu sempre achei Shakespeare genial, e esse texto então, um clássico, sei que não estou falando nenhuma novidade, mas hoje especificamente, ele me tocou mais, e em cada parte destacada em itálicome fez lembrar de uma pessoa diferente, de peso em minha vida. De certa forma, elas que nem se conhecem, na grande maioria estão inteiramente interligados. E eu sou o elo que os relaciona, em mim.

À parte minhas psicografias eu estou tentando passar aqui meu coração. Estranho por cada amigo mudado, distante, novo...
Volto então à questão que eu carrego como a minha principal máxima:
Será mesmo a amizade mais que TUDO?

Dói cogitar que não, mas já me fizeram pensar isso e pena que foi quem eu considero [e considerava] como meu melhor amigo...

Da outra parte eu tento [ e tentei] diversas vezes sobrepor a amizade à outro sentimento. E minha fraquez provou que não é possível.

Então pergunto de novo:
Será mesmo a amizade maior que TUDO?

Acho que tudo é muita coisa, mas e a amizade? Que há pouco tempo eu considerava ser tudo? Aí eu volto a Shakespeare:

(...)que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando(...)

Mas até quando? E até que ponto vale perdoar pela mesma coisa na centésima vez que ela acontece??


Thursday, October 04, 2007

Algo que eu queria ter escrito [12]

Um dia você aprende que...


(...)
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
(...)
E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
(...)
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. (...) E que bons amigos são a família que nos permite escolher.
(...)
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
(...)
Aprende que quando está com raiva tem direito de estar com raiva, mas isso não te dá direito de ser cruel.
(...)
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não sabe amar, contudo, o ama como pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem demonstrar ou viver isso.
(...)
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
(...)
E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
(...)


William Shakespeare [Grifos meus]

Friday, September 28, 2007

Às vezes estou gosto menos
Pra compensar o tanto [tanto]
Quando estou gostando muito

Outras vezes gosto mais
Até mais que poderia,
Eleva ao cubo e acelera...

Thursday, September 27, 2007

Estou aqui

Aqui onde ngm pode estar
aqui onde a música é ácida
e o embalo do vento
leva a nenhum lugar

Monday, September 24, 2007

estive pensando [2]

>> naquelas tardes tão assim... em que o sol nasceu fora de hora e me fez sorrir...

Sunday, September 23, 2007

Estive pensando...

> Naquelas pessoas especiais que entram em nossa vida para nos fazer sorrir.
> Que cuidam da gente antes do esperado.
> E que, de um dia pro outro, tão de repente, são assim, essenciais.
> Estive pensando pra repensar a vida, pra mudar os meus conceitos e viver mais feliz.
> Porque às vezes esperamos de mais daqueles que gostamos.
> Sem saber que estes podem ser apenas o caminho pra encontrarmos outra pessoa.
> Outra pessoa em quem podemos confiar, e contar nas horas de sorrir e de chorar.

>> Estive pensando que não posso mesmo viver sem meus amigos, mas pra uma mulher é impossível viver sem amigas.

>>> Pra quem eu vou contar sorrindo daquelas fodas homéricas e chorar da besteira que parei pra falar?
>>> Pra quem eu vou correr pra casa naqueles dias em que eu não estou carente, mas que preciso ver alguém?
>>> Pra quem eu vou recorrer na hora de pedir um conselho de que cor pinto o cabelo ou se a bolsa combina com o vestido?
>>> Pra quem vou mandar esses e-mails sem pé nem cabeça com a certeza de que serei minimamente entendida?

Essas são as companhias que fazem falta,

Wednesday, September 19, 2007

Até

Eu ia até dizer que senti saudades,
e eu até pensei em ir te ver.
Eu poderia até te chamar para ser feliz comigo.
Mas "até" não basta.
Custa dizer que não quero?
Custa dizer que não posso?

Eu ia até chorar por isso,
Mas descobri que não vale a pena.

Saturday, September 15, 2007

Se hoje eu sorrio é porque um dia eu cansei de chorar.

É bom descobrir que os bons momentos da vida vêm quando menos esperamos.

E quanto mais consciente vivemos mais a vida se torna recompensadora.

Até para aqueles como eu que são mais sentimento que razão, mais vontade que verdade.

Mais amor que subversão.

12/09/07

Wednesday, September 12, 2007

Estou em frangalhos

Mas cada pedaço de mim consegue rir da situação... que situação...
Acho que nunca estive tão bem como estou agora agora.

Tão eu... tão nua[auêntica] ... Será que eu me encontrei?

Tuesday, September 11, 2007

Desabafando... pra talvez um dia esquecer

Posso me definir como qualquer uma que acorde sentindo que a manhã ainda está impregnada da noite passada.

Eu posso ser aquela que jura pro sol, logo no primeiro minuto que se dá conta, que vai tentar nunca esquecer cada detalhe.

E quero segurar toda a felicidade do mundo em mim e transparecer todos os sorrisos em meu rosto sem me sentir pesada com isso, quero flutuar no céu e andar sobre as águas. Quero não ter medo e repetir tudo de novo.

Cada atitue desmedida, cada gesto impensado, cada palavra fora de hora.

Porque tudo que eu fiz deu certo até agora, quero morrer com esse sorriso na cara e com esse otimismo de gaça que pude trazer pra dentro de mim.

Quero esquecer os dias que andei sozinha, e mesmo quando estiver sem você quero me sentir feliz porque um dia fui sua, ...

quero começar a escrever um texto impessoal e terminar com seu nome, quero dizer que te amo, diferente de toda e qualquer paixão que eu já tenha sentido (inclusive por amigos e inimigos seus)[exagero].

Quero apenas continuar te olhando e rindo de você, e te fazendo sorrir, quero viver sem esperar mas no fundo no fundo doida por um repeteco, ...

Quero contradizer tudo o que disse e parecer confusa talvez de propósito ou sem pensar, pra dizer que não escreverei o seu nome no espelho nem o repetirei com minha boca cheia de pecado.

-nãoquero terminar esse texto
Algo que eu queria ter escrito [11]

When You Say Nothing At All
Quando você não diz nada


É incrível como você pode acalmar meu coração
(...)
Eu nunca posso explicar
O que eu ouço quando você não diz uma palavra
(...)
O toque de suas mãos diz que você me levantará onde
quer que eu caia.
(...)
Durante todo dia eu posso ouvir pessoas falando
excessivamente alto
Mas quando você me segura perto, você destroi a
multidão


Monday, September 10, 2007

07/Set/07

... a natureza reproduzindo a própria natureza...
mais?

"No amor e na guerra vale tudo."
Mas eu preferi abaixar minhas armas.
mais?

haaaa.. feriado na ilha... =x

Saturday, September 01, 2007

2 meses e alguns dias

que eu não escrevo e nem sei o porquê,
aliás, só sei que um dia desses eu pensei:
preciso tirar férias.

o problema não é nem o cansaço em si,
é que eu estava, irremediavelmente, de férias.
férias das férias, como assim?

caí então no clichê de achar as perguntas
perguntas das respostas sem que eu as tivesse.
e sem respostas eu permaneci.

no fim de tudo, agora que voltei a escrever,
descubro que as férias que eu tanto precisei,
e que tão bem eu as tive.

foram férias de mim


Luiza Spínola [Subverta-se]

Monday, June 18, 2007

Um dia

Um dia abominei certas atitudes
Que hoje considero essenciais
Não porque passei a ser chata
Mas porque o mundo de hoje
Não é o mundo que eu vivia.

Antes eu até tirava os sapatos
Pra sentir em meus pés a grama.
Hoje, quero apenas descanso
E que eles respirem um pouco
Porque vivo pra mim.

Já tive todo tipo de amigos,
Até daqueles que não são amigos,
Sabe? E ainda assim eu gostava.

Hoje não vejo motivo algum
Pra gostar de ninguém, mas,
Nem por isso eu odeio.

Minha cabeça dá voltas porque
Meu coração é estático
Ou seria o contrário?
O tempo é um, mas, se eu pudesse,
Superá-lo-ia.

Aprendi, enfim, que não adianta
Tentar de vez mudar o amanhã
Se você morrer agora.
Então, vivo bem o hoje,
Pois o amanhã, um dia,
Será hoje.

Sunday, June 17, 2007

Algo que eu queria ter escrito [10]

"E tenho a plena certeza que cometo o maior erro do ano, ainda que eu não duvide que todos os acertos são mesmo feitos assim: quando a loucura nos vence de alguma forma.
E enquanto eu explico para o meu melhor amigo que o tipo mais grosso na ponta que afina pro meio, é o melhor, quero chorar porque o Dudu, o garotinho de dois anos com seu carrinho vermelho, me olha curioso. A pureza me destrói, por causa da sujeira. E a sujeira me destrói, por causa da pureza. Mas sigo inteira e peço pizza de chocolate com morango. Será que a minha mão é feita de massinha?
Depois, no dia seguinte, lá vem a ressaca. Sempre. Adoro minhas dancinhas e gracinhas e loucurinhas. Mas no dia seguinte acordo e me pergunto: por que é que você não faz cara de paisagem e permanece fina e permanece intocável? Por que é que você não consegue ser difícil, escrota e blasé? Adoro que a Grazi apareceu com seu vestido vermelho colante de couro por dez minutos e foi embora. Por que é que eu não vou embora?" Tati Bernardi - Versos X Versos

Thursday, June 14, 2007

Vegetariano não come só folha

descrição: É revoltante....qdo vc fala q é veg, tdo mundo pensa q a única coisa q vc come é folha. Mas e o pão, biscoito, cerveja, refrigerante, batata frita, macarrão, ricota, chocolate, salgadinho, massas em geral, ovo, queijo, muito queijo (para aqueles q comem), além de tdas hortaliças, frutas, leguminosas, cereais, raízes e tubérculos, e putz, só folha q nada!

Como assim, vc não come carne?
descrição:
- É, não como carne não...
- Mas nem de vez em quando?
- Não, não.. sou vegetariano
- Rapaz, isso faz mal...
- Faz não, já está cientificamente comprovado que faz bem...
- E vc n tem vontade de comer um churrasquinho não? Uma picanha?
- Não faz muita falta não
- Mas e o que é que você come? Alface?
- Quase tudo... contanto que não tenha carne...
- Eu hein... e eu lá sou coelho pra ficar comendo mato...

Essa comunidade é pra você, que não suporta mais a ignorância de todos contra o fato de que uma pessoa pode sim ter força de vontade e não querer comer carne... seja por motivos de saúde, em proteção aos animais ou ao meio ambiente

A sociedade é completamente fraca e as pessoas não conseguem ter uma visão mais abrangente do mundo, do homem e suas necessidades, está presa e alienada a meros costumes...

Essa é a comunidade para você que fala com todo orgulho para si e para os outros...
Eu sou vegetariano!
Tirados do Orkut, evidentemente. Um Abraço!
Algo que eu queria ter escrito [9]

Ando tão à flor da pele,
Que qualquer BEIJO de novela me faz chorar,
Ando tão à flor da pele,
Que teu olhar flor na janela me faz morrer,
Ando tão à FLOR DA PELE,
Que meu DESEJO se confunde com a VONTADE de não SER,
Ando tão à flor da pele,
Que a minha PELE tem O FOGO do JUÍZO FINAL.

Um barco sem porto, Sem rumo,
Sem vela, Cavalo sem sela,
Um bicho solto, Um cão sem dono,
Um menino, Um bandido,
Às vezes me PRESERVO noutras SUICIDO.

Às vezes me preservo noutras suicido.

Oh sim eu estou tão cansado, Mas não pra dizer,
Que não acredito mais em você
Eu não preciso de muito dinheiro graças a Deus
Mas vou tomar aquele velho navio, Aquele velho navio..

Um barco sem porto, Sem rumo,

Sem vela, Cavalo sem sela,
Um bicho solto, Um cão sem dono,
Um menino, Um bandido,
Às vezes me PRESERVO noutras SUICIDO.

Às vezes me preservo noutras suicido.

- Zeca Baleiro - Flor Da Pele -

Tuesday, June 12, 2007

De manhã quando
Tenho medo de não me reconhecendo
No espelho ignorar
As tantas mudanças de até então

Que me fazem pensar
Estou louca! Pareço, não?
Mesmo sendo, ainda assim
Seria a mais normal de todas
Sem dar importância a tantas coisas
Mas à amizade sim!

Thursday, June 07, 2007

Pó de cinzas-luz

Ao raiar do sol
de novo ela subiu aos céus
deixando para trás suas cinzas
num vôo leve e renovador

Sobe, Fênix!
Rume até o sol e projete
sua sombra cheia de luz
nos vivos campos e matas

Dando paz e alegria
para as coisas daqui, da terra
para as suas cinzas gélidas

Agora que conheces a escuridão
Vanglorie-se da sua luz
que irradia, fortalece,
concorre, humilha o astro-rei
em nascer e re-nascer.
06/06/07
De novo lançando mão da "licença poética"
Chama

A cabeça arde, queima
Desce pelas costas em brasa
Labaredas dóem

Costas em chama n'agua
Cabeça em chamas
N'agua chama
Corpo todo, água fria
Frio, gelado, [um iceberg]
Costas fogo n'agua chama
Cabeça dói.
05/06/07

Tuesday, June 05, 2007

05-06-2007
Sabe de uma coisa? A gente só conhece - realmente - uma coisa quando conhece o inverso dela.
Se você pensa que domina um fator A, e só ele, mente. Para realmente se conhecer A é preciso conhecer o lado ~A da história.

Para se dizer feliz [A] é preciso um dia conhecer a tristeza [~A]. Até porque a felicidade tem mais graça quando vem depois de uma tristeza. Porque cair te faz mais forte e, a depender de fatores internos e externos, feliz é aquele que consegue cair e se levantar. Como saber-se feliz se passou a vida inteira triste, ou como dizer-se triste se sentiu-se feliz a vida inteira?

Por isso digo que sou feliz. Que fui feliz depois triste e assim serei até voltar bem e eternamente a ser feliz.
Digo isso em consideração aos amigos que, acredite, são tudo. Inclusive a exceção. A amizade não precisa de inimizade pra existir, pra se entender. A inimizade não pressupõe a amizade.

Sorrisos amigos dizem da felicidade ou tristeza, da solidão ou companhia.
Eles sim - como fator externo -, tanto quanto eu - como fator interno - contribuíram para a minha (des)construção. E é desconstruída que hoje eu me completo. E me sinto.

Feliz?

Wednesday, May 30, 2007

Do QUILOMBO ouviu-se
um grito de dor de infâmia
pois em rede nacional
lhes tiraram tudo o que tinham,

tiveram negadas sua IDENTIDADE
e sua HISTÓRIA em proporções globais.
Do QUILOMBO sentiu-se
um suspiro de CERTEZA do que são
e a espera que não será em vão

pois seu VALOR será trazido
de volta pela terra do nunca e,
assim poderão ostentar
o seu orgulho de ser remanescentes.

Apesar da pretensão
bem intencionada da autora,
que os enxerga como remanescentes
de raça, de história,
de origem e de VERDADE.

Monday, May 21, 2007

Espelho!
11/13/06

A parede
Branca
Um quadro na parede
Uma nova figura a cada olhar

De soslaio tento percebê-la imóvel
No mínimo estática
A cada dia uma nova mudança
E as figuras, embora diferentes, me parecem familiar
Nunca a vi de verdade
Não pude contemplá-la pessoalmente

Só o quadro, na parede
Às vezes só uma moldura,
Mas sempre que vejo, uma figura
Esta inconstante
E que me confunde

Quadro que tem em vários lugares,
Molduras diferentes
Mas a mesma figura familiar
Sempre que estou, ela está
Presente enantiomorfa
Presente figura do meu presente

Branca, a parede, ou quem sabe outra cor
O quadro, diferente
Mesma figura familiar
Família, quem sabe eu

Quem sabe fui, quem sabe ainda sou
No quadro
Branca, ou quem sabe outra cor
A figura

Sunday, May 20, 2007

Sou de fase como a lua.
fases de ficar em casa e fases de ir pra rua.
Cecília Meirelles


Sou de fase como a lua.
Fases de beber cerveja e fases de ficar nua.
[5ui6a 69i2o5a] by Victor Hugo e Laís Dias
que sorriso lindo
e o não dizer
o que disse querer

lá longe eu vejo
aquele abraço
aquele cheiro de querer

do suor cerveja desce,
gela
esfria meu calor
e diz:
- Libertariedade!

que um dia na cidade
surpreende na calçada
sentada na beirada
esperando o sol nascer.

18/05/17
roda ponto roda o ponto
copo ponto bebe a roda
ponto copo cheio
cheio peça ponto
nada ponto pedra
vento saco bebe
vento come saco
ponto.

18/05/2007

Tuesday, May 15, 2007

Ensaio

Sem o gesto de toda vez pensar
E fazer transparecer todos desejos
Sem querer rasgue os cabelos
Mas não me impeça de amar.

Minh'alma tem mechas ruivas
Donde descem labredas de fogo
Que queimam em cada medo
Derramando suas cinzas cálidas.

A boca não é para observar
Nem o silêncio para os olhos
Tampouco almas sem corpos.

Vontades se fazem muitas
Com um disimulado medo
De amanhecer sem enredo.

Monday, May 14, 2007

Algo que eu queria ter escrito [8]

Tudo tem seu apogeu e seu declínio...
É natural que seja assim; todavia, quando tudo parece convergir para o que supomos ser o nada, eis que a vida ressurge,triunfante e bela!... Novas folhas, novas flores, na indefinida bênção do recomeço!

Chico Xavier

Saturday, May 12, 2007

Posts Proibidos
[se fossem não estariam publicados aqui, são] de datas anteriores a um acontecimento... digamos... marcante!
não tinha postado na época mas só agora me sinto a vontade.

Euforia [2ª etapa] 01/05/2007

Euforia [1ª etapa] 25/04/2007

Angustiante 08/04/2007

Thursday, May 10, 2007

Algo que eu queria ter escrito [7]

Tuas poucas palavras
Meus atentos ouvidos
Um sopro adverso
Encrespando as águas.

Apenas escutava
O que tu não dizias.
Inteira ensimesmada
A tarde se fechava

Minha boca se abria
E não dizia nada.
Se eu pudesse diria:

Que a vida se me apaga
Porque o ouvido não ouve
O que lhe caberia.
Se dissesses - Amada -
(Te parece difícil?)

Só isso bastaria.

Hilda Hilst

Wednesday, May 09, 2007

-> Achei parecida comigo. Fora a cor dos cabelos e dos olhos.
Aliás, os meus cabelos já cresceram. Não estou mais tão parecida com ela.
Da figura, talvez, o que resta de mim é a mão corajosa. E a expressão dos olhos.
A serenidade da boca, a calma da pose. O conforto.
E, pra quem não vê o coração dessa moça, ele está feliz, livre, não no chão, mas numa grama verde, debaixo da sombra d'uma árvore e tomando água de coco.
Acordei hoje com essa palavra na cabeça: Libertariedade.

Tuesday, May 01, 2007

Euforia [2ª Etapa]
Foi-se. Tornou-se. Como uma fênix sentiu um tremor em suas costas. E desvaneceu-se, entregou-se.
Ressurgindo a um tempo num pico eufórico rendida por frêmitos de prazer... prazer, prazer, prazer...
Até que a um momento resultou-se em calmaria, descanso, paciência. Na adrenalina lançada a fundo dentro de si, que percorreu parte por parte, achou o que a fez calar. E calou-se.
Deixando o corpo dançar a melodia de gritos trazidos por uma respiração arritmica e vazia.
Apelos sentidos por um olhar e mãos em mãos invasoras e quentes. A um instante do que antes estava calma fez-se volúpia - misto de entrega e euforia.
Confiança dando saltos e mãos - invasoras e quentes. Aahh... quentes e queimando etapas. Pulando barreiras e dizendo sou seu.
Sua sem propriedade, apenas posse, entrega, momento, euforia, calor...
Sua sem medo, sem pensar, sem dizer, sem calar.
EUFORIA
s. f., estado de espírito de satisfação e alegria fora do normal; alegria intensa e expansiva; bem-estar, tranquilidade, calma, produzidos por boa saúde ou por estupefacientes; exaltação; entusiasmo.

Monday, April 30, 2007

Algo que eu queria ter escrito [6]

As longas passagens

As longas passagens da vida
Jamais pssaram por aqui
Eu sempre estive esperando
Mas nunca vieram até mim
Será que foi porque eu nunca me mexi
E ir, eu que devia, e não ela vir
Os bon momentos que eu tive
Se lembro, nem memo senti
E as longas pagens da vida
Para onde levariam a mim
Só mesmo um tonto que não percebe
Que portas não andam por aí
E as longas pasagens da vida
Sou eu que as devo abrir

- Pangenianos -

Wednesday, April 25, 2007

Euforia [1ª etapa]

Putz
.. essa nota é só pra constar e pra eu lembrar depois o contexto de qd eu escrevi.
eu virei a noite hj pra estudar e tava mto doida aheuaheauh tonta, com sono, sei la..
e antes de ir prum cinema-relâmpago - fiquei sabendo na hora - com um povo.. [esse txt diz respeito a alguem desse "povo" que não é quem logicamente seria.. não é o "rapaz"] eu escrevi isso na facu.
minhas idéias estão meio confusas, meio promíscuas, mas eu acho que é isso que eu [quis dizer] mesmo. vou deixar o tempo me levar e tentar não interferir...
acho q isso n é pra postar.. ***avaliar depois***


toda ousadia que outrora me deixou louca, tonta, agora se esconde nessa cara inocente, concentrada
eu qero, eu sinto sem tocar, eu desejo e quero [te beijar??]

agora mais que em qualquer outro momento
seja, veja, beije,
entenda o que eu quero [você]
tome, possua, queira,
queira, que eu quero mas não posso
[me manifestar]

não esconda, mostre, seja o que tu és [quer]
beije, ame, deseje

agora mais que em qualquer outro momento

as palavras não me completam mais
não te desejam mais
agora só uma ação pode apagar essa vontade de beijar, transcender, [ilegível]...
tome, queira, para si

Tuesday, April 24, 2007

Num momento de solidão

Cabeça voando,
tá passeando, passando, pensando.
viajando numa ilha deserta
procura conchinhas na praia

Tá querendo não pensar [muito]
não sonhar [muito]
e apenas seguir em frente
ou deixar que as coisas a faça seguir

A cabeça. Que idéia!
que falta de vontade imediata
em meio a tantas aspirações futuras

Viaja, pensa, não pensa, cansa,
dorme, vaga por aí.
Em busca de dignidade,
finalidades e/ou algo que a levante.
Afinidade.
Pimenta
que arde não é a fruta picante
e sim meu coração errante,
que não sabe por onde se perdeu,
em que buraco caiu ou quais mãos o acolheu.

Monday, April 23, 2007

Algo que eu queria ter escrito [5]

Delírio

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci....

Olavo Bilac

Sunday, April 22, 2007

Uma tarde... Inúmeras Loucuras...

De que lado?

Nãaaaao! Eu vejo sim barcos de papel à deriva em meus sonhos
eles ficcionam a realidade confundindo a utopia
Que utopia?

Esta máquina que me leva este trem tem trem
trem sem coração mas que mesmo sem flexibilidade
Entende para onde quero ir.

Com tremores e sustos com luz ou em luz
Eu sei onde estou.
Aqui, esperança!

Escolinha Pequeno Mundo
Que abrem as asas e expandem o campo de visão
Professam sua fé e criam coragem.


Despertam-se os trabalhadores que
às custas das àguas vivem, convivem e
Respeitam.

A Alegria que passa, a alegria das cores,
formas, vidas, 1001 vidas a bordo
deste vagão chamado esperança.

E o meu olhar apaixonado, perdido,
minha perspectiva dantes ignorada
Viaja nessa ralidade de sons e imagens que em meu coração
frutificam sorrisos crianças, gelados...

Gelados, cigarros, bebidas
e um bocado de mentes que convergem
em equivalentes verdades.

Saturday, April 21, 2007

Algo que eu queria ter escrito [4]

Tenho te amado tanto e de tal jeito
Como se a terra fosse um céu de brasa.
Abrasa assim de amor todo meu peito
Como se a vida fosse vôo e asa.

Iniciação e fim.
Amo-te ausente
Porque é de ausência o amor que se pressente.
E se é que este arder há de ser sempre
Hei de morrer de amor nascendo em mim.

Que mistério tão grande te aproxima
Deste poeta irreal e sem magia?
De onde vem este sopro que me anima
A olhar as coisas com o olhar que as cria?

Atormenta-me a vida de poesia
De amor e medo e de infinita espera.
E se é que te amo mais do que devia
Não sei o que se deva amar na terra.

Hilda Hilst
Vontade

Minhas criações são mais que desejo,
São vontades desmedidas de fazer valer minha existência.

Resta saber qual vontade reinventada
Satisfará o corção angustiado com ações inovadoras.

Como combater com lápis e papel na mão
Os olhos irônicos e os dedos apontados com escárnio.

Com o amor podemos reagir em conjunto
Para que não nos sintamo excluídos.

Cabeças libertas e mão empunhando a caneta.
Vou sonhando, criando, realizando.

Será que serei ouvida? Já é suficiente ter colocado pra fora.
Num texto, num planejamento, numa ação.

Friday, April 20, 2007

Fragmentos de uma carta, cujo carteiro perdeu,
portanto, que nunca foi entregue.
Salvador, 03 de Abril de 2007

[...] Independente de qualquer coisa, como eu disse, adorei você e dificilmente me magoarei. [...] isto aqui é sim uma declaração [...] Não importa. Apenas tenho que me abrir pra você. [...] tive medo de dizer o que eu sinto [...] Porque antes eu não queria me relacionar com os homens que pareciam ser todos uns sacanas, como todos que eu tinha conhecido até então tinham sido comigo. Sacanas.
[...]
Quando eu digo que antes eu me sentia assim, me refiro a antes de te conhecer. [...] eu não acredito em amor à primeira vista. Pra mim ele deve ser construído pouco a pouco. A paixão, sim, pode ser a primeira vista.
[...]
você mudou tudo o que eu estava pensando, [...] E foi por já estar de coração aberto que eu me encantei por você. Se não fosse assim eu gostaria apenas do seu jeito, mas não, eu resolvi gostar de você também, por inteiro. E fui construindo aos poucos tudo o que sinto hoje. [...] eu me deixei levar pela paixão (à primeira vista) [...]Isto explica a sintonia
[...]
"Mas a paixão, como toda onda
Que carrega tudo na areia da praia
Ela mesma volta apagando
Todas as dores de amores passados"
[...]
não quero chorar: pra não reviver uma paixão que deve ser única, e eterna. [...] Eu não pretendo esquecer a nossa paixão, se me permite dizer assim. [...] Quero, como eu disse que o amor é para mim, construí-lo aos poucos. E se eu for feliz com o que eu fizer do meu coração [mesmo que eu o jogue na lata do lixo, guarde pra mim ou entregue a alguém] não importa o resto que acontecer comigo. [...] eu queria dizer com tudo isto que (...) (...) além de medrosa (...) eu quero tentar, quero assumir as conseqüências de querer você. (...) te digo: resistir é fútil. (...) não se preocupe se está me magoando ou não. Faça do seu jeito, mas deixe-me estar perto. Deixa eu jogar meu coração pra cima sem saber onde ele vai cair. Deixa eu te beijar toda vez e sempre como se fosse a última vez..

E foi, ou melhor, tornou-se, uma lembrança eterna.
Eu seria burra se não deixasse.
E, se o tempo permitir, tornar-se-á uma amizade eterna.

Thursday, April 19, 2007

Num Mesmo Raciocínio, Numa Mesma Praia...

A Concha

Um dia na praia
tinha na areia uma concha
mas a onda levou.
Então esperou...
...esperou...
Até que um dia
a epera canou.

Quando enfim desitiu dela
andou.. andou...
passou por 100 coqueiros
na praia e lá na frente
a 100 metros da esperança
viu refeletido no chão o sol,
o céu na água e
a luz na concha.


O Coqueiro


Outro dia de novo
deitou na areia e
o sol só não ofuscou os olhos
porque estava debaixo
da sombra do coqueiro.
Paciência
Duas horas depois
a sombra se moveu
e cego tornou-se

Ainda assim pôde sentir o vento
em sua face sacudindo os cabelos,
sentiu, e certeza teve que,
da mesma forma
o vento sacudia
o coqueiro e suas folhas.

Sunday, April 15, 2007

Algo que eu queria ter escrito [3]

Tenho tanto sentimento

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa
(1888-1935)

Monday, April 09, 2007

Desconstrução

Precisei me libertar de certas amarras e moralidades pra escrever assim.

Mas, tudo que começa com um beijo termina em amasso.
Porque não?
Se quisermos, nada torna o nosso tempo perdido.
Há algo mais que lindo numa história.
Há algo mais que passageiro nas decisões.
Há algo mais que eterno em nossas lembranças.
Partes subseqüentes I e II
(80% fingimento poético)
Parte I
”Sem aquele rapaz ela se sentia incompleta.
Antes mesmo de o ter visto. E agora
que sabe da sua existência continuará o admirando,
e amar amando cada minuto mais.

Porque ainda não conheceu sua língua por inteiro,
ainda não o provou por inteiro.
O beijo do qual não saiu, ela quer outro.

E no colo dela o perfume dele já se impregnou,
seu corpo reage ao toque dele.
A ele ela pertence desde o primeiro olhar.

Foi pelo olhar que ele insinuou um beijo, não mais como rapaz,
mas com os olhos do homem que procura sua moça.
E foi no beijo que ela pediu mais. E quiseram mais. E fizeram mais.

Pelo tesão de sentir e ser sentida desejou o toque na nuca
E pernas entre as pernas (e que pernas!)
Com mãos aflitas a se apertarem, a se prenderem, a se confundirem...

Até o último suspiro inebriante de um êxtase profundo.
Aí sim, ela confundiu seu corpo todo, não mais como moça,
mas como a mulher completa, satisfeita,
e que se achou mais tarde no corpo do rapaz.

Agora não são mais dois seres estranhos.
São apenas dois seres distintos e incompletos,
dois corpos sequiosos de emoção se desejando com fervor
e que, a todo o momento, mesmo distante, se confundem.

Procuram-se e querem concluir a paixão repentina.
Ela se sente agora incompleta, e ele resiste, em vão,
à moça que outrora (sendo homem) conhecera ali.

Ali eles viveram um caso, protagonistas de um tema livre,
atores e diretores de sua própria decisão."
Parte II e Parte III

Parte II
"Ela não imaginara o segundo encontro
mas, já que ocorrera naquele lugar,
não hesitou em se deixar levar.

O olhar se repetiu, e antes mesmo do beijo,
ela sentiu seu corpo estremecer. Não foi necessário usar palavras,
antes disso ele já havia entendido o seu papel.

Ele quis mais e amou mais e se envolveu mais.
Não que uma etapa tenha sido queimada,
o beijo houve e foi necessário como uma nota introdutória.

Mas agora eles já se conheciam.
As bocas se procuraram sem pressa,
as mãos estavam mais livres, e, sem pressa, se reconheceram.

Sem pressa, cabelos se apertaram nas mãos,
nuca em pernas, pernas em pernas (e que pernas!), e se sufocaram,
reviveram o primeiro encontro como da outra vez.
(achando que seria o último)

Ele sentia saudades e ela apenas queria estar ali.
E estiveram por um bom tempo, e ela gostou, e ele, e ela, e ele....
e ela se sentiu tonta, e se sentiu perdida, e ele se encontrou nela.
E ela o quis mais do que nunca.

Completaram-se novamente, mas ainda assim,
Sentiam-se incompletos. O caso precisou se repetir, se repetiu,
e precisará se repetir sempre e eles não mais resistirão.

Porque resistir é fútil. E é a consciência disto que os levam a viver.
E a tentar se amar, se pegar, se apaixonar.“


Parte III
"A luz que cria esse clima, O momento para qualquer vontade.
Meio claro, meio escuro, meio sentimental meio carnal.
Um pouco doce para a língua,
Muito ardente pra os olhos.

O olhar que não rolou,
Mãos inquietas que ficaram paradas.
Ela, à luz de velas não quer mais pensar.

Pra quê pensar, se, neste caso,
é o coração, ou o corpo, quem manda?
E as vontades não percebidas
Ficarão para o sonhos esta noite.

As pernas dele, sem saber, ela quer mais
Sem pudor ela vê que são pernas e não passam de pernas
(mas que pernas!)

Seu coração idiota que se emociona
é volúvel a qualquer ilusão.
Na ecuridão e/ou sob a luz ela confessa não saber.

Apesar da cabeça que tudo imagina,
não sabe o quão fútil ela ficaria esquecendo todo o sentimento
e, naquela noite, resumindo-se ao desejo."

Sunday, April 08, 2007

Angustiante ver e não poder tocar
se quero provar e, sem beijos profanos
há vontade de jogar tudo pro alto
e de com a língua sentir.
[que nele presa eu possa ficar]

Da mesma maneira que desejo
Ter eu quero um dia pra ser desejada
Oh proibição vã que me inibe
Oh amor sem futuro que me impede

E, se no fim nada der certo, imploro
Provo mesmo e certamente descubro;
não há nada de fascinante aos olhos
que a língua não possa desvendar.

Saturday, April 07, 2007

Algo que eu queria ter escrito [2]

Aqui
Eu nunca disse que iria ser
A pessoa certa pra você
Mas sou eu quem te adora
Se fico um tempo sem te procurar
É pra saudade nos aproximar
E eu já não vejo a hora

Eu não consigo esconder
Certo ou errado, eu quero ter você
Ei, você sabe que eu não sei jogar
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim

Aqui
Agora que você parece não ligar
Que já não pensa e já não quer pensar
Dizendo que não sente nada
Estou lembrando menos de você
Falta pouco pra me convencer
Que sou a pessoa errada

Eu não consigo esconder
Certo ou errado, eu quero ter você
Ei, você sabe que eu não sei jogar
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim

Aqui
Antônio Villeroy / Ana Carolina

Thursday, April 05, 2007

Amor é fogo que queima muito
É ferida aberta, e que sangra
É um descontentamento suicida
É dor que dói visceralmente

É um não querer só de orgulho
É um andar solitário e melancólico
É nunca estar contente e sim chorando
É um cuidar passivo e sem retorno

É estar preso sem conseguir sair
É servir a quem se ama, o desavisado
É ter por quem se matar, o indiferente

(...)

Evidente que isto que escrevi não está escrito em meu coração. Não mais. Ainda mais agora. Foi só uma parodiazinha do soneto conhecidíssimo de Camões.

Wednesday, April 04, 2007

Algo que eu queria ter escrito [1]
Foi tolice desistir de tudo
Quando ainda eu tinha um tanto pra falar
E te disse tantas coisas
Que nunca pensei
Só pra fugir do silêncio uma vez mais.

E agora as marcas
Quando o dia amanhece
Não se escondem mais.
E eu não entendo
como você não está aqui,
nem como pude agir assim,
e só penso em voltar.

Quem sabe desta vez
Eu consiga explicar
O que nunca soube dizer...
Consiga te mostrar
Que o vazio que deixou em mim
Me deixa sem forças.

Quem disser que a solidão
Não planeja seus golpes
Desconhece-lhe os fins.
As esperanças que plantei
Só me trouxeram cortes
Com tantos espinhos.

Sempre soube que ia acabar no chão
E ainda assim
Me atirei com vendas nos olhos
Do alto de precipícios.
Mas juro,
Pensei que cair duraria MAIS...
Agora, meus pés quebrados
Não me deixam ir pra casa
E estou cada vez mais
Coberto de folhas em seu quintal
E esquecido.

Ah, se eu fosse poeta
Saberia como me defender...
Mas, eu sou só mais
Um garoto imbecil a se repetir...

Trabalhando Em Um Bom Título (mas, Que Não Seja Repetitivo)
- Nene Altro - Dance of days -

Tuesday, April 03, 2007

Algo que eu escrevi

De mim, faço triste poeta
Só pra te comover
E em seguida me torno objeto
Só para ser desejada por ti

Das mil loucuras que penso,
Escrevos histórias só pra você
E te faço sem hesitar
O protagonista da minha vida

São tuas pernas
Que sinto em minhas mãos
E só no teu peito
Que meus cabelos repousam.

Temo só que imagines
De quantas histórias participas
E das tantas loucuras minhas
Quais pertencem só a você

Sunday, April 01, 2007

Olhos Vermelhos

Olhos vermelhos de quem chora,
de quem não sabe porque ri.
Olhos vermelhos de quem está
entregue a qualquer futuro bom
que valha a pena.

Ou coisa que o valha,
pois são olhos de quem
já se enfureceu um dia,
mas que agora só sabe amar.
Amar o mar, o sol, a lua, o céu,
as flores na varanda e o futuro bom.

Que futuro bom? Que eperança?
Quero apenas aprender a amar
e amar, e amar, e amar,
e não me preocupar com mais nada.

E só os olhos vermelhos que choram,
não de quem já se enfureceu um dia,
mas de quem não sabe porque ri,
me entenderão e sorrirão comigo.

Wednesday, March 28, 2007

Uva também passa

Quem sabe um dia tudo isto não passa,
pois tudo na vida passa.
É esta transitoriedade da vida
que me mantém viva e me faz lutar.

Pois, se tudo na vida passa,
porque não passa toda essa angústia
do meu peito, que arde, dói, magoa.

Tudo na vida passa.
Quem sabe se não passa
essa vontade de mudar o mundo, pois
quem sabe o mundo um dia
não precise mais ser mudado.

O que é impossível pois tudo na vida passa.
Até o sorriso passa, e a graça
fica sem graça, para que haja motivos
pra sorrir outra vez.

Pois é, tudo na vida passa,
só não passa essa angústia no meu peito
e a vontade de mudar o mundo.
"A realidade, porém, não é inexoravelmente esta. Está sendo esta como poderia ser outra e é para que seja outra que precisamos, os progressistas, lutar." - Paulo Freire
Apêndice [Clichê]

Adoro apêndices.. ainda mais pra completar, ratificar ou retificar alguma idéia mal colocada ou mal expressada.
Então, esse texto abaixo marca uma nova fase, eu me sinto diferente...
[apaixonada? talvez sim, talvez não] quem sabe apenas um fingimento poético...

É importante fazer algumas considerações:
* Esse blog me representa apenas nos assuntos concernentes às minhas angústias e emoções, às minhas dores e "paixonites"
* Eu vivo eternamente apixonada, escrevendo essas banalidades sentimentais
* Eu me sinto diferente e com medo no mundo
* Espero sim, uma vida [amor] pra correr em minhas veias (...)
* Espero que um dia eu consiga escrever sobre a realidade. [sem largar a poesia]

Clichê

Eu te vejo em tantos lugares, em tantos rostos,
[que até parece um clichê]

Eu te espero em todos os momentos, em todas as esquinas,
[que até parece um clichê]

Eu te amo tanto, e te quero tanto e sonho contigo tanto, tanto, tanto...
[que até parece um clichê]

Mas a minha vontade de te desejar mais, de chorar mais, de esperar mais, e meus sonhos que te torna tão real, tão meu, tão bem, NÃO é um clichê.

É impossível não te querer perto de mim, pra cuidar de ti, pra te fazer sorrir, pra te deixar com sono só pra depois te acordar
e, enchendo-te de beijos, dizer:
- Bom Dia!

Eu te amo tanto, e te quero tanto que nem me importo de escrever mais um clichê, ou em não te agradar, pois a minha vontade é mais do que isso.

A minha vontade é você, é simplesmente a sua existência, que torna o mundo tão mais fácil, e os dias tão mais alegres, que de novo a vida corre em minhas veias e eu me sinto bem...
Tão bem..
O que estou lendo:
A República - Platão

Sunday, March 18, 2007

Apêndice [2]

Agora tenho em minha mente a certeza de que eu poderia escrever mil partes sobre o medo. E ainda assim me sentiria incompleta. Eu temo que nada que eu escreva faça sentido. Esta é uma das faces do meu medo.
Minha incompletude assina que estou sem norte, sem rumo, sem caminho a seguir. É justamente por isto que eu procuro qualquer coisa.
Já tentei traçar mil vezes [em vão] o meu perfil psicológico, sinto a todo instante a necessidade de conversar com alguém, de desabafar meus medos, minhas inseguranças, esta sim que é a fonte primária dos meus medos.

Medo. De onde veio esta palavra?


O que eu estou lendo:
Cidade do Sol - T. C.
Manifesto do Partido Comunista - K. M.
Pra gostar do direito - J. B. H.

Sim, eu leio mais de um livro ao mesmo tempo.

Tuesday, March 06, 2007

Medo! [Parte 1]

Inicio agora uma tentativa de descrever o medo, de forma geral, para mais tarde falar do Meu medo. Aquele que me acompanha já faz algum tempo. Por isto apresento este post como "Parte 1". Deus sabe lá quando concluirei a Parte 2, já que qualquer menção do título apresentado me provocou sérias crises, até que eu começasse esta tentativa esperançosa de falar sobre.

Achei que alguma coisa fosse mudar. Não sei. No final parece sempre estar do mesmo jeito. É quando os meus surtos ilusórios – de que haveria ou de que eu estaria vivendo um mudança – se esvaem, dando a certeza de que não passariam de uns surtos. E ainda por cima ilusórios. Percebo que este é um dos momentos que o que eu mais preciso é de um incentivo interno para me aceitar, ou quem sabe me encontrar, já que aceitar parece atitude de fracos. Mas o problem é este! Onde eu mais me vejo forte e preparada é onde mais salta às vistas minhas fraquezas. Percebo que esta é a hora em que o desespero iminente é um passo que eu devia dar. Não consigo mais pensar em amor. nem em emvolver-me. Sinto medo. Apenas isso. Medo. 15/02/2007


O que estou lendo:
CHRISTIE, Agatha. O misterioso Sr. Quin. 1.ed. Rio de Janeiro: L&PM, 2006
SÓFOCLES 496a.C.. Antígona. Porto Alegre: L&PM, 2006

Tuesday, January 30, 2007

Agora você pode ser o Indiana Jones! E se aventurar em perigosos labirintos e na pirâmide do faraó!

Satisfação garantida ou tenha o seu dinheiro de volta!




http://www.gamesdaweb.com/games/6/indiana-jones.html
Divirta-se!

Sunday, January 21, 2007

Com Certeza!

Que equilíbrio, que nada! Eu sou é uma desequilibrada pronta pra explodir! Haueaheuaheua.
Achei que meu problema fossem as letras que eu vi dançando na parede, que nada! Hoje eu sonhei com milhares de cartas, dançando em meus sonhos, milhares de jogos misturados, Paciência, FreeCell, Tranca, Buraco... Voltou a insônia, a maldita. Aff! Estou enlouquecendo! Preciso de férias (das férias?).
?!?!?!?! Acho que não, sei lá, agora não sei de mais nada.. e o meu blog virou um antigo caderno de desabafo. Acho que é porque eu parei de usar antigos cadernos de desabafo.
E minha cabeça ficou vazia de idéias. Acho que porque nunca as tive.
Apenas sinto falta de minhas poesias mal-estruturadas e mal-feitas, mas excessivamente "viajantes".

Saturday, January 20, 2007

Será?!?!

Demorou pra afastar todos os meus pensamentos negativos em relação às minhas férias, andei tentando até conseguir. Será?!?!Fora todas as minhas agonias e saudades eu pude descobrir aqui, após váriso dias de reflexão, o que eu sou e o que eu quero ser. Pena que ainda não desenvolvi a habilidade de expressar, em palavras, o que é exatamente isto que eu fomei em minha cabeça.
No início das férias eu me preocupei em não me deixar dominar pela preguiça ocupando meu tempo com leitura o dia todo, e sem prestar atenção em nada à minha volta. Enquanto me deliciava com aqueles textos estava tudo ótimo, e, como diz o clichê, eu "viajava sem sair do lugar". Mas percebi que depois uma dor de cabeça insuportável tomava conta de mim e eu juro que cheguei a ver letrinhas dançando na parede branca do meu quarto.
Foi quando reparei que não movi um dedo pra avisar aos conhecidos que eu estava aqui, no interior, sozinha e achando que estava sem amigos. Então decidi reduzir a leitura, e ocupava meu tempo vago jogando buraco e tranca com os primos, foram os melhores momentos em jogo que vivi. Altas risadas, "os cara de saia" e "as mulheres de calça" não sei o que uma coisa tinha haver com outra, mas eu me diverti com isso!
Saí pela primeira vez nessas férias, foi maravilhoso reencontrar meus colegas da 8ª série na pizzaria, rir pra caramba e ressaltar as mudanças ocorridas em cada um. Talvez quem mais mudou fui eu, mas sem me distanciar dos meus princípios.A redução de leitura se mostrou gradual, até sumir de vez. E sim, fui tomada pela preguiça.. levantava só pra comer e mudar o canal da TV. Só que essa "volta ao mundo real" me aproximou mais de minha irmã, comecei a levá-la no Ballet, o que me devolveu a vontade de sair, passando para uma boate, duas formaturas, onde conheci pessoas que poderão se tornar amigos de verdade, um aniversário de 15 anos, MARAVILHOSO, um barzinho na quinta com ótimos amigos, que me fizeram perceber que eu tenho sim, pessoas com quem contar aqui nesse interior.
Agora praticamente só assisto jornal na TV, passo um bom tempo na internet conversando com os meus recém-re-descobertos amigos, brinco com minha irmã, tomo sol no área da casa, penso em sair e vivo de ilusão. De sonhos e metas formados em minha mente. Quem sabe se concretizarão. Sempre há esperança.

Thursday, January 11, 2007

Férias...

Ainda não tive paciência pra escrever sobre minhas férias, então resolvi contar um pouco sob o ângulo do "lado bom", se é que ele existe.
Então, antes que eu comece a reclamar da saudade, sei lá de quê ou de quem, da falta de saídas, da falta de contato social, minhas fases repentinas-impulsivas-degradantes... Ops.. foi sem querer, não penso em outra coisa.
Então, para tentar "reconcentrar-me", lá vai Sartre: Não que a vida não vala a pena, nós que não a fazemos valer.
Ou algo do tipo. Então, lado bom das férias.. é difícil... isto está sendo uma terapia pra mim.. muito difícil continuar este texto-desabafo.. então...
Certo! Vou começar pela parte da saudade. Então. Saudade é bom, não?
Acho que não, comecei mal!
Pronto! Segunda tentativa: "falta saída". Certo, estou presa dentro de casa, não saio nem pra ver carro passando ou os paralelos da minha rua. O lado bom? A cara dos meus pais e da minha tia viúva-desocupada-fuxiquenta que tempos atrás reclamavam que eu saía demais, sem sequer eu realmente sair ou dar motivo para que falassem dessa forma. Pois é, nessas férias a agonia deles ao tentar me expulsar de casa, perguntando cadê meus amigos, porque não saio com eles e o que eu tenho. Fora o sofrimento, minhas respostas vêm imediatamente do coração à cabeça: meus amigos estão em salvador, eu não saio com eles porque está longe, e eu tenho muita vontade de chorar. Pois é, mas é por essa agonia, essa tentativa de me expulsar de casa, agora que eu não quero, é justamente o que me faz rir. Estou me divertindo, e muito com minha própria desgraça. Desgraça? Apenas nãao quero mais sair, agora que posso. Atitude infantil? Não me importa!
"Falta de contato social". Até uma semana atrás eu tinha um conhecido-desconhecido-flerte-amigo, com quem conversava quase todos os dias pelo telefone, marcamos até de nos conhecer, eu ir lá ou ele vir aqui, mas de repente ele desapareceu, ou fui eu quem não deu mais atenção?
R., desculpe!
Pois é, agora não resta mais nada que me prenda a estas férias, e ainda não cortei meu cabelo, não decidi o corte. Indecisa. Lado bom das férias? Fica pro próximo post.

Wednesday, January 10, 2007

Cabelos...

Nunca o título desse blog fez tanto sentido. Tudo que não me mata me fortalece. Eu vou sobreviver.
Nem preciso dizer que eu estou com medo, ou que não sei o que será de mim a partir de agora. Achei que passaria esse tempo (férias forçadas) sem escrever, mas não teve jeito, pois é nas profundezas de minha mente, em momentos impuros de reflexão, que mais vêm idéias para escrever.Isto não quer dizer que eu consiga como quero. Mas de novo veio uma daquelas fases difíceis de passar, e ainda com corpo e mente ansiosos por mudança. Mudança esta que sempre me parece inútil posto que eu me sinto a mesma. Sempre a mesma fracassada. Em relação a quê?
Estou com medo mais uma vez. Queria ir embora daqui e, já que não posso, simplesmente não posso. Não sou “dona do meu nariz”, portanto, não vou. De novo idéias incontroláveis e absurdas passam por minha cabeça. E sempre atingindo o meu cabelo, espero que esta não seja como a outra vez em que cabelos e sobrancelhas voaram pia abaixo. Acho que estes são os alvos porque notavelmente são as partes mais bonitas do meu corpo. Corpo. Matéria, eu sempre tento me desligar dela, mas é inútil.
Sim, estou com medo, mas não vou fazer nada com meus cabelos nem sobrancelhas. Sobrancelhas. Demorou pra eu conseguir tocar nesse assunto. E nem precisei de terapia. Isso não quer dizer que eu não quis - a terapia.
Não estou escrevendo a fim de fazer terrorismo comigo mesma ou alimentar meu sofrimento. Simplesmente quero ir embora. Mas porque os cabelos? Nem eu sei, apenas os imaginei curtinho e fechado na cara com as pontas batendo no rosto e, quem sabe com o vento, fazendo cosquinhas em minhas bochechas, eu possa rir por nada quase. Curto pra poder lavar todo dia, pra entrar de vez numa ducha de água fria nos dias de angústia, pra não precisar de mil cremes e cuidados. Na verdade pensei nesse corte a 2 dias atrás, antes de cair nesse mar de lama, o caso é que a coragem de cortar só vem agora, quando eu estou mal e acho (ou tenho certeza) de que não tenho nada a perder, aí qualquer curiosidade estranha ou mudança brusca pode se realizar, não como uma medida precipitada, mas algo que precisou de um momento pra acontecer, e este momento veio, na hora errado mas veio, então, aproveita-se a coragem e segue.
Preciso aprender a me ouvir, a me entender, a não me temer.
Sim, eu estou com medo.

Thursday, January 04, 2007

Uma Italiana na Suíça
Clarice Lispector

Rosa perdeu os pais quando era pequena. Os irmãos se espalharam pelo mundo e ela entrou para o orfanato de um convento. Lá levava uma vida sóbria e dura com as crianças. Durante o inverno o grande casarão permanecia frio. E os trabalhos não se interrompiam. Ela lavava roupa, varria os quartos, costurava. Enquanto isso as estações se sucediam. Com a cabeça raspada e o longo vestido de fazenda grosseira, às vezes, com a vassoura na mão espiava pelos vidros da janela. O outono era a estação de que mais gostava porque não era preciso sair pra vê-lo: atrás dos vidros as folhas caíam amareladas no pátio, e isso era o outono.
Nesse convento suíço, quando um homem pisava no patamar, lavava-se o chão e queimava-se álcool em cima. Depois vinha de novo o inverno e as mãos se avermelhavam, abriam-se em feridas, a cama gelada impossibilitava o sono, e criava sonhos acordados. No dormitório escuro, com os olhos abertos sobre o lençol, ela espiava os pequenos pensamentos piscarem. De algum modo os pensamentos eram o paraíso.
Como e por que lhe veio aos vinte anos a determinação de sair do convento, não sei, nem ela soube explicar. Mas veio decidida, contra todos. Era uma vontade obstinada, monótona, passiva. As irmãs se espantaram, disseram que ela iria para o Inferno. Mas como Rosa não retrucava sequer com um argumento, venceu. Saiu, foi empregar-se como criada.
Saiu com sua trouxa pequena, a cabeça raspada, a saia nos calcanhares. “o mundo me pareceu...” - e ela não soube me explicar.
Com seu rosto de italiana do sul, os olhos redondos e as formas que tardavam a se afirmar, foi morar com uma família recomendada. Lá permanecia dia e noite, meses a fio, sem ir à rua. Explicou-me que naquela época “não sabia sair”. Usava apenas a maravilha do inverno fora do paraíso: espiava tudo pelas janelas abertas e ninguém diria se estava contente ou triste. Seu rosto ainda não sabia exprimir. Espiava pela janela aberta com a minúcia e a atenção de quem reza, com os braços cruzados e as mãos metidas nas mangas opostas.
Numa tarde em que tudo lhe pareceu vasto demais – uma tarde livre e sem trabalho era quase pecaminosa – sentiu que deveria se aplicar, ter um sentimento mais limitado e mais religioso: desceu as escadas, entrou na sala e tirou um livro da estante. Subiu de novo, sentou-se numa cadeira sem se encostar, pois ainda não aprendera a se dar prazeres, e começou a ler com grande austeridade. Mas aa cabeça esférica, onde os cabelos já nasciam curtos e rígidos – a cabeça pôs-se então a flutuar. Fechou o livro, deitou-se, cerrou os olhos.
Esperaram-na para servir o jantar, mas ela não descia. Foram busca-la. Seus olhos estavam crescidos, quentes, imóveis: ela ardia em febre.
A dona da casa passou a noite a vela-la, mas nada havia a fazer, ela não se queixava não pedia nada, e a febre a consumir. De manhã estava emagrecida, de olhos menos abertos. Assim passou mais um dia e uma noite. Então chamaram o médico.
O médico perguntou o que lhe sucederam por ali estavam todos os sintomas de febre nervosa. Rosa não dizia nada, nem lhe ocorrera dizer, não estava habituada. Foi quando o médico olhou por acaso para a cabeceira da cama e viu o livro. Examinou-o e olhou-a espantado. O livro se chamava le corset rouge. Ele disse que rosa não podia de modo algum ler um livro assim. Que mal saíra do convento, e que sua inocência era perigosa. Rosa não respondia. Ele disse:
- Você não deve ler essas coisas, elas são mentira.
Só então Rosa abriu um pouco os olhos, pela primeira vez. O médico então jurou que o livro só dizia mentiras. Ele tinha jurado...
Então ela suspirou, sorriu tímida e triste:
- É que eu pensava que tudo o que se escreve num livro e que se publica é verdade, disse olhando com tanto pudor o primeiro homem bom.
O doutor disse – e quem pode imaginar o tom com que disse:
- Mas não é.
Ela dormiu magra e pálida. A febre diminuiu, ela se levantou. Aos poucos, com o tempo, as pessoas diziam: você tem cabelos muito pretos. Rosa dizia, tocando-se: é mesmo!
De como, aos quarenta anos, ficou tão alegre, não sei explicar. Cada gargalhada. Sei também que uma vez quis se suicidar. Não porque saíra do convento. Mas por amor. Ela explicou que naquela época do amor não sabia que “tudo era assim mesmo”. Assim, como? Não me respondeu. Hoje, dez anos mais velha que seu noivo, com quem dorme, ela ri sob a grande cabeleira e diz: não se mesmo porque é que gosto mais do outono do que das outras estações, acho que é porque no outono as coisas morrem tão facilmente.
Também diz: não sou muito inteligente, tenho a impressão de que a senhora é mais do que eu. Também diz: “a senhora alguma vez já chorou como uma boba e sem saber por quê? Pois eu já!” – e cai na gargalhada.

(de A Legião Estrangeira)



Elenco de cronistas modernos [por] Carlos Drummond de Andrade [e outros]. 13. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1994. (pág 227)

Wednesday, January 03, 2007

Uma parte de um medo inútil!

O semestre passado foi inacreditável. Tudo aconteceu de repente e ao mesmo tempo. Eu mal tive tempo de respirar entre uma mudança e outra. Pena que ela pareça tão inútil, agora que a tenho. Pois me sinto da mesma maneira apesar da certeza de mudança.
Enquanto adrentava num mundo totalmente diferente, cheia de expectativas e ansiedade, me iludi acerca das relações que teria dali por diante. O que mais tarde se confirmou na decepção que tive ao conhecer cada uma daquelas pessoas.
Paralelamente eu me envolvia em relacionamentos absurdos, imaturos, inconsequentes, que sequer podem ser chamados de "relacionamentos", e que me mostraram quanto superficial eu poderia parecer ser.
Resta saber se era, ou se sou. Mais uma vez desilusão, mas agora comigo mesma. a esta altura eu nao conseguiria nem procurar nem esconder-me de quem mais deveria me dar valou, ou seja, eu mesma.
Ainda assim, com todas estas adversidades (...) não estou sozinha nesta. Nunca estive, Não sei porque isto passou em minha cabeça. Não era verdade. Ou se era, não era necessário ter dado tanta atenção.