Espelho!
11/13/06
A parede
Branca
Um quadro na parede
Uma nova figura a cada olhar
De soslaio tento percebê-la imóvel
No mínimo estática
A cada dia uma nova mudança
E as figuras, embora diferentes, me parecem familiar
Nunca a vi de verdade
Não pude contemplá-la pessoalmente
Só o quadro, na parede
Às vezes só uma moldura,
Mas sempre que vejo, uma figura
Esta inconstante
E que me confunde
Quadro que tem em vários lugares,
Molduras diferentes
Mas a mesma figura familiar
Sempre que estou, ela está
Presente enantiomorfa
Presente figura do meu presente
Branca, a parede, ou quem sabe outra cor
O quadro, diferente
Mesma figura familiar
Família, quem sabe eu
Quem sabe fui, quem sabe ainda sou
No quadro
Branca, ou quem sabe outra cor
A figura
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