Passaram-se apenas 3 dias e eu já perdi a compostura. Tem hora que não dá mais pra segurar e o que mais quero é deixar que elas corram pelo meu rosto.
Mas o vento, o mesmo que balançou os meus cabelos, secou de minha face todos os caminhos desenhados por uma secreção aquosa, levemente alcalina, de glândula lacrimal, que serve para umidificar a conjuntiva, e sentida como fogo em brasa.
E se mostrou (o vento) um ótimo companheiro ocasional, para que a solidão, outrora idealizada, se transforme num puro momento de reflexão.
E se minha vidaO que estou lendo:
fosse toda de escolhas por mim definidas,
desejaria não ter um corpo tão assim
tão quente e agora tão sequioso
Ao mesmo tempo que meu coração planeja
meu corpo implora
e minha cabeça declina -veementemente
Jamais senti um Não tão seguro
e sou tomada por um grande medo
já que esta segurança,
paradoxalmente, partiu de mim.
AMADO, Jorge. Mar Morto. 71. ed. Rio de Janeiro: Record, 1996
&
Elenco de cronistas modernos [por] Carlos Drummond de Andrade [e outros]. 13. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1994.

1 comment:
esse é só meu...
www.sedicao.blogspot.com
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